Melanoma em Santa Catarina: como reconhecer os sinais, quem tem mais risco e quando procurar o dermatologista

Resposta rápida: o melanoma é o câncer de pele mais perigoso e responde por cerca de 90% das mortes por câncer de pele. Santa Catarina está entre os estados com maior incidência do Brasil: a estimativa é de cerca de 1.220 novos casos em 2026, aproximadamente 70 deles em Florianópolis. O sinal mais importante é a mudança: uma pinta que cresce, muda de cor ou de formato, sangra, coça ou é diferente das outras. A regra do ABCDE ajuda a reconhecer esses sinais. O diagnóstico usa dermatoscopia e exame do tecido retirado. Quando o melanoma é descoberto ainda localizado, a sobrevida em cinco anos passa de 99% nos dados americanos.
Aqui em Santa Catarina, o sol é quase um vizinho. Ele está na praia, no surfe, na trilha, no almoço de domingo com a família. E a pele anota cada visita.
O melanoma costuma não doer no começo. A boa notícia é que, na pele, ele aparece onde dá para ver. A má é que quase ninguém olha com atenção para as próprias costas.
Por que Santa Catarina merece atenção especial?
Os números locais explicam a preocupação:
cerca de 1.220 novos casos de melanoma estimados em Santa Catarina até o fim de 2026;
aproximadamente 70 novos casos em Florianópolis no mesmo período;
na Região Sul, o melanoma é o sétimo câncer mais frequente em mulheres e o nono em homens;
o Cepon, referência estadual em oncologia, atendeu 171 pacientes com melanoma em 2025.
Na estimativa anterior do Inca, para 2023 a 2025, a taxa catarinense foi de cerca de 13 casos por 100 mil habitantes, mais de três vezes a média nacional. Clima, hábitos ao ar livre e o perfil de pele da população ajudam a explicar esse cenário.
O que é melanoma?
É um câncer que nasce nos melanócitos, as células que produzem o pigmento da pele. Pode surgir em uma pinta que já existia ou em uma área de pele normal.
Ele é bem menos comum do que o carcinoma basocelular, mas tem muito mais capacidade de se espalhar para outros órgãos. Por isso o tempo faz tanta diferença.
Como reconhecer o melanoma? A regra do ABCDE
Letra | O que observar |
A de assimetria | uma metade da pinta não combina com a outra |
B de bordas | contorno irregular, serrilhado ou mal definido |
C de cor | mais de uma cor na mesma lesão, como marrom, preto, vermelho, branco ou azul |
D de diâmetro | maior que 6 mm, embora melanomas iniciais possam ser menores |
E de evolução | mudança de tamanho, forma ou cor, ou novos sintomas |
A regra ajuda, mas não cobre tudo. Fique atento também a:
patinho feio: a pinta que é diferente de todas as outras;
pinta que coça, sangra ou forma ferida;
bolinha rosada ou escura que cresce rápido;
linha escura nova na unha, ou que está alargando;
mancha escura na palma da mão ou na sola do pé.
Nem todo melanoma é preto. Alguns são rosados ou avermelhados, e por isso podem passar despercebidos.
Onde o melanoma costuma aparecer?
Em qualquer parte do corpo, inclusive em áreas que não pegam muito sol. Ele é frequente no tronco, principalmente nas costas, e nas pernas. Couro cabeludo, orelhas, atrás dos joelhos, entre os dedos e embaixo das unhas também merecem atenção.
Quem tem mais risco?
pessoas de pele clara, olhos claros e cabelos claros ou ruivos;
quem tem muitas pintas ou pintas atípicas;
quem teve queimaduras solares, principalmente na infância e na adolescência;
quem tem casos de melanoma na família;
quem já teve melanoma ou outro câncer de pele;
quem fez bronzeamento artificial;
pessoas com imunidade baixa, como transplantadas.
Ter pele morena ou negra reduz o risco, mas não elimina. Nesses casos, palmas, solas e unhas merecem atenção redobrada.
Como fazer o autoexame da pele?
Escolha um lugar bem iluminado e use um espelho grande.
Olhe rosto, orelhas, pescoço, colo e barriga.
Examine braços, mãos, unhas e entre os dedos.
Sente-se e observe pernas, pés, solas e unhas dos pés.
Use um espelho de mão para as costas, a nuca e os glúteos.
Peça ajuda para olhar o couro cabeludo.
Tire fotos das pintas que quer acompanhar e repita o exame uma vez por mês.
Como é feito o diagnóstico?
Na consulta, examino a pele com o dermatoscópio, um aparelho de aumento com luz própria que mostra detalhes invisíveis a olho nu. A diretriz europeia atualizada em 2024 orienta confirmar a suspeita clínica com dermatoscopia. Se a suspeita continua, a lesão precisa ser retirada e analisada no laboratório.
O laudo informa, entre outros dados, a espessura do melanoma, conhecida como índice de Breslow. Ela é uma das principais informações para definir os próximos passos. Em pessoas de alto risco, a dermatoscopia digital sequencial e as fotografias do corpo inteiro podem ajudar a detectar mudanças mais cedo. Para saber como é a avaliação, leia pinta mudou? Quando procurar o dermatologista.
Melanoma tem cura? Como é o tratamento?
Quando descoberto cedo, o tratamento costuma ser cirúrgico e as chances são muito boas. A diretriz europeia recomenda retirar o melanoma com margem de segurança de 1 a 2 cm, conforme a espessura. A biópsia do linfonodo sentinela deve ser oferecida em melanomas a partir de 1,0 mm, ou a partir de 0,8 mm com outros fatores de risco.
Em casos mais avançados, o tratamento é definido por uma equipe de oncologia e pode incluir imunoterapia e terapia-alvo.
Situação no diagnóstico | Sobrevida relativa em 5 anos |
Localizado | mais de 99% |
Regional | 76% |
À distância | 36% |
Esses números são da American Cancer Society, com pessoas diagnosticadas nos Estados Unidos entre 2015 e 2021. Eles descrevem grupos, não preveem o que vai acontecer com uma pessoa, e os tratamentos continuam evoluindo.
Como prevenir o melanoma?
use protetor solar todos os dias e reaplique na praia e em atividades ao ar livre;
use chapéu, óculos escuros, sombra e roupas com proteção UV;
evite o sol forte entre 10h e 16h;
proteja as crianças, porque queimaduras na infância aumentam o risco;
não faça bronzeamento artificial;
faça o autoexame mensal e a avaliação dermatológica na frequência indicada para o seu risco.
Em dezembro acontece o Dezembro Laranja, campanha de prevenção ao câncer de pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Mas o melhor momento para olhar a sua pele é antes de o verão começar.
Perguntas frequentes sobre melanoma
Toda pinta que muda é melanoma?
Não. Muitas mudanças são benignas, mas toda pinta que muda precisa ser avaliada por um dermatologista.
Melanoma coça ou dói?
Pode coçar, doer ou sangrar, mas muitas vezes não causa nenhum sintoma. Não espere sentir algo para procurar avaliação.
Melanoma aparece em pele morena ou negra?
Sim. É menos frequente, mas pode acontecer, especialmente em palmas, solas e unhas.
Tirar uma pinta faz ela virar câncer?
Não. Retirar uma pinta com técnica adequada não transforma a lesão em câncer. O risco está em retirar sem analisar o material, ou tentar remover em casa.
De quanto em quanto tempo devo examinar a pele?
Faça o autoexame uma vez por mês. A frequência da avaliação com o dermatologista depende do seu risco e deve ser combinada na consulta.
Avaliação da pele em Florianópolis
Se você tem uma pinta que mudou, é diferente das outras ou nunca fez um exame completo da pele, vale agendar antes do verão. Atendo dermatologia clínica e cirúrgica no Instituto Libertà, no Centro de Florianópolis, e encaminho para a equipe adequada quando o caso precisa de cuidado oncológico.
Agendamentos pelo WhatsApp (48) 99677-9195.
Sobre a autora
Dra. Carla Knust Bastos - dermatologista
CRM SC 18309 - RQE 21114
Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com título de especialista em dermatologia e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD); mestre em informática em saúde pela UFSC. Atende dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiatria no Instituto Libertà, na Rua Presidente Nereu Ramos, 146, Centro, Florianópolis (SC).
Última atualização: 6 de novembro de 2026.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos individualmente, por médico.



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