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Pinta mudou? Quando procurar o dermatologista e como é a avaliação de pintas em Florianópolis

Foto do escritor: Carla Knust
Carla Knust
há 16 minutos
6 min de leitura

Resposta direta: procure um dermatologista quando uma pinta mudar de tamanho, cor ou formato, quando aparecer uma pinta nova na vida adulta ou quando uma lesão coçar, sangrar ou não cicatrizar. Mesmo sem nenhum desses sinais, quem vive em Santa Catarina tem um motivo a mais para examinar a pele uma vez por ano: o estado tem a maior incidência de melanoma do Brasil.


Você provavelmente conhece cada detalhe do seu rosto. Mas e as suas costas? Quase ninguém sabe quantas pintas tem ali, e as costas estão entre os lugares onde o melanoma mais aparece nos homens. Nas mulheres, ele é frequente nas pernas. Ou seja: justamente onde a gente menos olha.


Por que vale fazer a avaliação agora, antes do verão


Em outubro, o sol de Florianópolis já está forte, e em poucas semanas começa a temporada de praia, trilha e fim de tarde ao ar livre. Fazer a avaliação agora tem três vantagens práticas:

  • se alguma pinta precisar ser retirada, a cicatrização acontece antes do auge da exposição ao sol e ao mar;

  • você entra no verão sabendo quais pintas merecem atenção e quais não preocupam;

  • o exame vira ponto de partida para comparar mudanças nas próximas consultas.


Santa Catarina e o câncer de pele: um dado que pouca gente conhece


O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil. E Santa Catarina tem a maior incidência de melanoma do país: a estimativa do INCA para 2023 apontava cerca de 13,9 casos por 100 mil habitantes no estado, mais que o triplo da média nacional, de 4,1 por 100 mil.


A explicação mistura genética e estilo de vida. Grande parte da população tem pele clara, que se queima com facilidade, e a vida por aqui acontece muito ao ar livre.


Existem dois grandes grupos de câncer de pele. Os carcinomas (basocelular e espinocelular) são os mais comuns e raramente se espalham, mas crescem e podem destruir os tecidos ao redor se forem deixados de lado. O melanoma é menos frequente, porém mais agressivo. Identificado em fase inicial, o tratamento costuma ser uma cirurgia simples e as chances de cura são muito altas. É por isso que olhar a pele com regularidade faz tanta diferença.


Sinais de alerta: o ABCDE das pintas


Dermatologistas do mundo inteiro usam uma regra simples para identificar pintas suspeitas. Vale gravar:

  • A de assimetria: uma metade da pinta é diferente da outra.

  • B de bordas: contorno irregular, borrado ou serrilhado.

  • C de cores: mais de uma cor na mesma pinta, como marrom, preto, vermelho, branco ou azulado.

  • D de diâmetro: maior que 6 mm, mais ou menos o tamanho da borracha de um lápis.

  • E de evolução: qualquer mudança de tamanho, cor, formato ou relevo, ou um sintoma novo, como coceira ou sangramento.


Desses cinco, o E é o mais importante. Uma pinta que muda merece avaliação mesmo sem nenhum dos outros sinais. E existe um critério extra, o do patinho feio: a pinta que é diferente de todas as outras do seu corpo.


Sinais que não são pinta, mas também merecem atenção


Os carcinomas nem sempre parecem pintas escuras. Procure avaliação se notar:

  • uma ferida que não cicatriza em quatro semanas;

  • uma bolinha brilhante, rosada ou perolada, que sangra com facilidade;

  • uma casquinha que sai e volta sempre no mesmo lugar;

  • áreas ásperas, como uma lixa, no rosto, nas orelhas, no couro cabeludo ou no dorso das mãos. Muitas vezes são ceratoses actínicas, lesões causadas pelo sol que podem evoluir para câncer e têm tratamento.


Nem toda mancha escura é pinta, e nem toda mancha é motivo de preocupação. Se a sua dúvida é sobre manchas de sol ou melasma, este artigo ajuda: manchas na pele: tipos, causas e tratamento.


Quem deve examinar a pele com mais frequência


Todo adulto se beneficia de uma avaliação da pele. Mas o risco é maior para quem:

  • tem pele clara, sardas, olhos ou cabelos claros e se queima com facilidade;

  • tem muitas pintas (mais de 50) ou pintas de formato irregular;

  • tem casos de melanoma na família;

  • já teve câncer de pele;

  • teve queimaduras solares fortes, com bolhas, na infância ou na adolescência;

  • trabalha ou pratica esporte ao ar livre, como surfe, vela, corrida ou pesca;

  • já fez bronzeamento artificial;

  • usa medicamentos que reduzem a imunidade ou é transplantado.


Na maioria das pessoas, uma avaliação por ano é suficiente. Para quem tem risco maior, o intervalo pode ser menor. Quem define a frequência é o dermatologista, depois de examinar a sua pele.


Se você se reconheceu em algum desses itens e não examina a pele há mais de um ano, agende sua avaliação pelo WhatsApp.


Como é a avaliação de pintas no consultório


A consulta tem quatro etapas, e nenhuma delas dói:

  1. Conversa. Pergunto sobre o seu histórico, casos de câncer de pele na família, exposição ao sol ao longo da vida e pintas que você percebeu mudando.

  2. Exame da pele inteira. Incluindo couro cabeludo, unhas, palmas, plantas dos pés, entre os dedos e regiões que você não consegue ver sozinho.

  3. Dermatoscopia. O dermatoscópio é um aparelho com lente de aumento e luz especial que mostra estruturas da pinta invisíveis a olho nu. Estudos mostram que ele aumenta a precisão no diagnóstico do melanoma em relação ao exame sem aparelho.

  4. Plano. A maioria das pintas é benigna e só precisa de orientação. Algumas pedem acompanhamento, com nova avaliação em intervalo definido. Quando há suspeita, a lesão é retirada e enviada para análise.


Uma dica prática: se puder, vá sem maquiagem e sem esmalte. Pintas no rosto e alterações nas unhas também fazem parte do exame.


E se a pinta precisar ser retirada?


Na maioria das vezes, a retirada é um procedimento rápido, feito em consultório, com anestesia local. A pinta inteira vai para o exame anatomopatológico, que é o que dá o diagnóstico definitivo. Depois, os cuidados são simples: manter o curativo, proteger a cicatriz do sol e evitar mar e piscina até a pele fechar.


Um alerta importante: uma pinta não deve ser removida com laser, ácidos ou cauterização sem avaliação prévia. Esses métodos destroem a lesão e impedem a análise. Se ela fosse um melanoma inicial, ninguém ficaria sabendo.


Como fazer o autoexame em casa


Entre uma consulta e outra, o autoexame ajuda a perceber mudanças cedo. Uma vez por mês:

  1. depois do banho, num lugar bem iluminado, use um espelho grande e um de mão;

  2. olhe o corpo todo, de frente, de costas e de lado, sem esquecer couro cabeludo, sola dos pés e entre os dedos;

  3. peça ajuda a alguém para olhar as costas;

  4. fotografe as pintas que você quer acompanhar, com uma régua ou moeda ao lado, para comparar no mês seguinte.


Notou uma pinta nova, diferente ou mudando? Não espere a próxima consulta de rotina.


Perguntas frequentes


Pinta que coça é câncer?

Na maioria das vezes, não. Coceira isolada costuma ser atrito ou pele seca. Mas coceira nova em uma pinta que também mudou de aspecto é um sinal para avaliar.


Mexer, coçar ou depilar uma pinta faz ela virar câncer?

Não. Um machucado não transforma uma pinta benigna em câncer. O que merece atenção é a pinta que sangra sozinha, sem ter sido machucada. Pintas em áreas de atrito, como a alça do sutiã ou o cinto, podem ser retiradas por conforto, depois de avaliadas.


Posso tirar uma pinta só porque ela me incomoda esteticamente?

Pode. Depois da avaliação, a retirada é feita com técnica cirúrgica e a pinta é enviada para análise, como qualquer outra. Na consulta, explico como deve ficar a cicatriz no seu caso.


De quanto em quanto tempo devo examinar as pintas?

O autoexame pode ser mensal. A avaliação com dermatologista costuma ser anual, ou mais frequente para quem tem risco maior.


Protetor solar evita câncer de pele?

O uso diário reduz o risco, mas não substitui a avaliação da pele. Se quiser revisar o que faz diferença na hora de escolher e aplicar, veja o guia completo de protetor solar.


Referências


  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2022.

  2. Abbasi NR et al. Early diagnosis of cutaneous melanoma: revisiting the ABCD criteria. JAMA. 2004;292(22):2771-6.

  3. Vestergaard ME et al. Dermoscopy compared with naked eye examination for the diagnosis of primary melanoma: a meta-analysis of studies performed in a clinical setting. Br J Dermatol. 2008;159(3):669-76.



Quer avaliar suas pintas antes do verão?


A avaliação de pintas com dermatoscopia é feita no Instituto Libertà, na Rua Presidente Nereu Ramos, 146, Centro de Florianópolis.


Agendamentos pelo WhatsApp (48) 99677-9195.



Sobre a autora Dra. Carla Knust Bastos - dermatologista CRM SC 18309 - RQE 21114 Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Atende dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiatria em Florianópolis.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico de qualquer lesão de pele depende de avaliação presencial.

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