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Carcinoma basocelular: o câncer de pele mais comum — como reconhecer, tratar e prevenir

Foto do escritor: Carla Knust
Carla Knust
há 10 minutos
5 min de leitura

Resposta rápida: o carcinoma basocelular é o tipo mais comum de câncer de pele. Ele cresce devagar e quase nunca se espalha para outros órgãos, mas, sem tratamento, pode invadir e destruir os tecidos ao redor — no nariz, nas pálpebras e nas orelhas, isso faz muita diferença. Os sinais típicos são uma bolinha brilhante, rosada ou perolada, uma ferida que não cicatriza ou sangra com facilidade e uma mancha avermelhada e descamativa que não sai. O diagnóstico é feito no exame com dermatoscopia, confirmado por biópsia quando há dúvida, e o tratamento de primeira escolha é a retirada cirúrgica completa.


Ela apareceu como uma espinha que não amadurece. Depois virou uma casquinha. A casquinha cai no banho, sangra um pouco, fecha... e volta. Meses depois, a pessoa chega ao consultório dizendo: "é só uma feridinha que não sara".


Essa história é tão comum que funciona quase como um sinal de alerta: ferida que não cicatriza em cerca de quatro semanas, ou que fecha e reabre no mesmo lugar, precisa de avaliação.


O que é o carcinoma basocelular?

É um câncer que nasce nas células da camada basal da epiderme, a parte mais profunda da camada superficial da pele. Segundo a diretriz europeia atualizada em 2023, ele é o tumor maligno mais frequente em populações de pele clara.


No Brasil, o câncer de pele não melanoma — grupo que inclui o basocelular e o espinocelular — é o câncer mais diagnosticado. Pela estimativa do INCA para 2026 a 2028, o país deve ter 781 mil casos novos de câncer por ano; sem contar os tumores de pele não melanoma, o número cai para cerca de 518 mil. Ou seja, algo em torno de um terço de todos os diagnósticos de câncer é de pele não melanoma, e o basocelular é o mais comum deles.


Carcinoma basocelular é perigoso?

Entre os cânceres, ele é um dos de comportamento mais favorável: cresce devagar e metástase é muito rara. O risco está no crescimento local. Deixado por anos, pode se aprofundar, sangrar, formar uma ferida e atingir cartilagem e até osso. No rosto, quanto maior a lesão, maior a cirurgia e a cicatriz. É por isso que o diagnóstico precoce importa tanto: tratar uma lesão pequena é muito mais simples do que tratar uma grande.


Como é o carcinoma basocelular? Sinais para observar

  • bolinha perolada ou brilhante, rosada ou da cor da pele, às vezes com vasinhos finos na superfície;

  • ferida que não cicatriza, ou que fecha e reabre, com casquinha e sangramento fácil;

  • mancha avermelhada e descamativa, plana, que não melhora com hidratante ou pomada, comum no tronco;

  • área endurecida, lisa e esbranquiçada, parecida com uma cicatriz, sem que tenha havido machucado;

  • lesão escura, que pode ser confundida com uma pinta, mais comum em pele morena.


Os locais mais frequentes são as áreas que pegaram sol a vida toda: nariz, testa, bochechas, pálpebras, orelhas, pescoço, colo e costas.


Quem tem mais risco?

  • pele clara, olhos claros, sardas, facilidade para queimar e dificuldade para bronzear;

  • muito sol acumulado ao longo da vida, no trabalho ou no lazer ao ar livre, na praia e em esportes náuticos;

  • história de queimaduras solares, principalmente na infância;

  • idade a partir dos 50 anos, embora possa aparecer antes;

  • imunidade baixa, como em pessoas transplantadas;

  • já ter tido um carcinoma basocelular, o que aumenta a chance de ter outro.


Em Santa Catarina, onde muita gente tem pele clara e passa boa parte do ano ao ar livre, esse perfil é muito comum no consultório.


Como é feito o diagnóstico?

Na consulta, examino a pele com o dermatoscópio, um aparelho de aumento com luz própria que mostra estruturas invisíveis a olho nu — no basocelular, por exemplo, vasos em forma de galho de árvore. Muitas vezes, o exame clínico com dermatoscopia já sugere o diagnóstico com segurança. Quando há dúvida, retiramos um pequeno fragmento para análise no laboratório (biópsia), com anestesia local e em poucos minutos.


Para entender como é a avaliação completa da pele, veja Pinta mudou? Quando procurar o dermatologista e como é a avaliação de pintas.


Carcinoma basocelular tem cura? Quais são os tratamentos?

Tem tratamento e, quando descoberto cedo, na grande maioria das vezes o tratamento resolve. A escolha depende do tipo, do tamanho, da localização e de a lesão ser nova ou ter voltado.


Tratamento

Quando costuma ser indicado

Cirurgia com margens

primeira escolha na maioria dos casos; a peça vai para análise para confirmar que a lesão saiu toda

Cirurgia micrográfica de Mohs

lesões de alto risco, que voltaram ou que estão em áreas delicadas, como nariz, pálpebras e lábios

Curetagem e eletrocoagulação

lesões pequenas e de baixo risco, em áreas selecionadas

Cremes e terapia fotodinâmica

tipo superficial e de baixo risco

Radioterapia

quem não pode ou não quer operar, principalmente pessoas idosas

Medicações orais específicas

casos avançados, raros, decididos em equipe multidisciplinar


Na maior parte dos casos, a cirurgia é feita no consultório, com anestesia local, e a pessoa volta para casa no mesmo dia. Depois, o acompanhamento é parte do tratamento: quem já teve um basocelular deve examinar a pele regularmente, no intervalo combinado com o dermatologista.


Dá para prevenir?

Dá para reduzir bastante o risco:


  • protetor solar todos os dias, reaplicado na praia e em atividades ao ar livre;

  • sombra, chapéu de aba larga, óculos escuros e roupas com proteção UV;

  • evitar o sol forte entre 10h e 16h;

  • nada de bronzeamento artificial;

  • autoexame mensal da pele e avaliação dermatológica periódica.


Dezembro é o mês de conscientização sobre o câncer de pele, o Dezembro Laranja. Mas o melhor momento para olhar a sua pele é antes do verão.


Perguntas frequentes sobre carcinoma basocelular

Carcinoma basocelular dá metástase?

É muito raro. O principal risco é o crescimento local, que pode destruir os tecidos ao redor se a lesão não for tratada.

Carcinoma basocelular pode voltar depois da cirurgia?

Pode, principalmente quando a retirada não foi completa ou em tipos mais agressivos. Por isso a peça é analisada no laboratório e o acompanhamento continua depois.

Ferida no rosto que não cicatriza pode ser câncer?

Pode. Ferida que não fecha em cerca de quatro semanas, ou que fecha e volta a abrir no mesmo lugar, precisa de avaliação dermatológica.

Carcinoma basocelular é o mesmo que melanoma?

Não. São cânceres diferentes. O melanoma nasce das células que produzem pigmento e tem maior risco de se espalhar. O basocelular é bem mais comum e tem comportamento mais local.

A cirurgia deixa cicatriz?

Toda cirurgia deixa cicatriz, mas o planejamento busca a menor e mais discreta possível, respeitando as linhas naturais da pele. Quanto menor a lesão, menor tende a ser a cicatriz.


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Agendamentos pelo WhatsApp (48) 99677-9195.



Sobre a autora

Dra. Carla Knust Bastos - dermatologista

CRM SC 18309 - RQE 21114


Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com título de especialista em dermatologia e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD); mestre em informática em saúde pela UFSC. Atende dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiatria no Instituto Libertà, na Rua Presidente Nereu Ramos, 146, Centro, Florianópolis (SC).


Última atualização: 27 de outubro de 2026.


Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos individualmente, por médico.


Referências

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