Pele que repuxa e coça no inverno: o que muda no cuidado em Florianópolis
- Carla Knust

- há 3 dias
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"Mas aqui é úmido, Dra. Como assim minha pele está ressecada?"
Essa frase aparece todo mês de julho. E ela revela um mal-entendido bem comum: umidade do ar não é sinônimo de pele hidratada.
A água que a sua pele precisa não vem do ambiente. Ela vem de dentro, e fica retida graças a uma barreira de lipídios que funciona como uma argamassa entre as células. O que resseca a pele no inverno não é a falta de umidade no ar — é o que acontece com essa argamassa.

O que realmente acontece com a pele no frio
Alguns fatores atuam ao mesmo tempo:
O banho quente. Este é o principal, e é quase sempre subestimado. Água quente dissolve os lipídios da barreira cutânea. Banho longo, quente e diário, com esponja e sabonete abundante, retira em quinze minutos o que a pele leva dias para repor.
O vento. Em Florianópolis, o vento é um personagem constante — e ele acelera a perda de água pela superfície da pele, especialmente em rosto, mãos e lábios.
A variação térmica. Sair do frio para o carro aquecido, do vento para o ambiente fechado. Essa oscilação estressa a barreira e, em quem tem rosácea, também dispara episódios de vermelhidão — falei sobre isso neste artigo.
A queda natural na produção de sebo. Com temperaturas mais baixas, as glândulas sebáceas trabalham menos. Menos sebo, menos proteção.
O resultado é uma pele que repuxa, descama, fica áspera nas pernas e nos braços e, com frequência, coça — principalmente à noite, quando você tira a roupa e deita.
Os ajustes que fazem diferença de verdade
Não é preciso reformular a rotina inteira. Cinco mudanças resolvem a maior parte dos casos.
1. Baixe a temperatura e o cronômetro do banho. Água morna, banho curto. É o ajuste que mais devolve conforto à pele e o que as pessoas mais resistem a fazer.
2. Troque o sabonete. Sabonetes em barra tradicionais tendem a ser mais alcalinos e mais agressivos com a barreira. Fórmulas suaves, sem sulfatos, aplicadas apenas onde há necessidade real — axilas, virilha, pés — costumam ser suficientes.
3. Hidrate com a pele ainda úmida. Aplicar o hidratante nos primeiros minutos após o banho, com a pele levemente úmida, faz diferença mensurável na retenção de água. Deixar para depois de se vestir é perder a janela.
4. Escolha o hidratante certo para a estação. No inverno, texturas mais densas funcionam melhor no corpo. Ingredientes que ajudam: ceramidas e lipídios para reconstruir a barreira, glicerina e ácido hialurônico para atrair água, ureia em concentrações adequadas para pele áspera. Loções muito leves e perfumadas tendem a decepcionar nessa época.
5. Não abandone o protetor solar. A radiação ultravioleta não tira férias no inverno, e no rosto ela continua sendo o principal fator de envelhecimento e de piora de manchas.
Quando não é "só pele seca"
Existe um limite entre ressecamento sazonal e doença de pele. Vale procurar avaliação quando:
a coceira atrapalha o sono ou persiste mesmo com hidratação bem feita;
aparecem placas avermelhadas, descamação intensa, fissuras ou feridas de coçar;
há áreas bem delimitadas de descamação no couro cabeludo, sobrancelhas ou laterais do nariz;
a coceira acontece sem lesão visível na pele — o que às vezes aponta para causas internas, incluindo alterações da tireoide, do fígado ou dos rins;
o quadro se repete todo ano com intensidade crescente.
Coceira persistente merece diagnóstico, não apenas mais hidratante. Se essa é a sua realidade há anos, vale ler também este artigo sobre dermatite atópica.
O inverno passa. A barreira, se você cuidar, fica
Pele bem cuidada no inverno não é só uma questão de conforto agora. É uma barreira mais íntegra chegando no verão — mais tolerante ao sol, ao sal, à piscina e aos ativos que você vai querer usar depois.
Como quase tudo em dermatologia, o cuidado de hoje é uma decisão sobre daqui a alguns meses.
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Dra. Carla Knust Bastos - dermatologista | CRM SC 18309 - RQE 21114




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