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Pano branco (pitiríase versicolor): por que aparece no verão e como tratar

Foto do escritor: Carla Knust
Carla Knust
há 11 minutos
5 min de leitura

Resposta rápida: pano branco é o nome popular da pitiríase versicolor, uma micose superficial causada pelo crescimento exagerado de um fungo que já vive normalmente na pele, a Malassezia. Ela forma manchas mais claras, rosadas ou acastanhadas, com uma descamação fina, principalmente no tronco, no pescoço e nos braços. Não é contagiosa e não tem relação com falta de higiene: calor, umidade, suor e pele oleosa são o que a favorecem. O tratamento é feito com antifúngicos, a cor da pele leva semanas a meses para voltar ao normal e, como o fungo faz parte da pele, é comum o quadro voltar nos verões seguintes.


Primeiro fim de semana de sol. Você volta da praia, olha no espelho e lá estão elas: manchinhas claras nas costas e nos ombros que "não pegaram cor". A conclusão mais comum é culpar a areia, a toalha emprestada ou a piscina do clube.


Nenhum deles é o culpado.


O que causa o pano branco?

A Malassezia é uma levedura que mora na pele de praticamente todo mundo, principalmente nas áreas mais oleosas. Na maior parte do tempo, convive em paz com a gente. Em algumas pessoas e em algumas condições — calor, umidade, muito suor, pele oleosa, óleos e cremes pesados no corpo — ela muda de forma e se multiplica além da conta. É aí que surgem as manchas.


O fungo produz substâncias que atrapalham a produção de pigmento na área afetada. Por isso as manchas ficam ainda mais evidentes depois do bronzeado: a pele em volta escurece e elas não.


O pano branco é especialmente comum em cidades quentes e úmidas, como Florianópolis no verão, em adolescentes e adultos jovens e em quem treina muito ou trabalha suando.


Pano branco pega? É falta de higiene?

Não e não. O pano branco não passa de uma pessoa para outra nem se pega na areia, na toalha ou na piscina, porque o fungo já é seu. Também não é sinal de sujeira: tomar mais banhos ou esfregar a pele com força não resolve e ainda irrita.


Como reconhecer o pano branco

  • manchas arredondadas que se juntam e formam áreas maiores;

  • cor variável: mais claras que a pele, rosadas ou acastanhadas (daí o nome "versicolor");

  • descamação fina, que aparece quando se estica ou se raspa levemente a pele;

  • localização típica nas costas, no peito, nos ombros, no pescoço e nos braços, às vezes no rosto;

  • coceira leve em algumas pessoas, principalmente no calor.


Mancha branca é sempre pano branco?

Nem toda mancha clara é micose. Tratar com antifúngico algo que não é fungo só atrasa o diagnóstico certo.


Condição

O que ajuda a diferenciar

Pano branco

descamação fina, tronco e ombros, piora no calor

Vitiligo

branco mais intenso, cor de leite, sem descamação; pode aparecer nas mãos e ao redor da boca e dos olhos

Pitiríase alba

comum no rosto de crianças, ligada à pele seca e à dermatite atópica

Hipomelanose macular progressiva

manchas claras no tronco, sem descamação, que não melhoram com antifúngico

Hanseníase

mancha clara ou avermelhada com diminuição da sensibilidade ao toque, ao calor ou à dor


O último item merece destaque: no Brasil, mancha clara com dormência ou perda de sensibilidade precisa de avaliação médica, e não de pomada para micose.


Como é feito o diagnóstico?

Na maioria das vezes, o aspecto das manchas já sugere o diagnóstico. No consultório, alguns recursos ajudam a confirmar: a lâmpada de Wood, uma luz especial que pode deixar as manchas com brilho amarelo-esverdeado; o sinal da raspagem, que levanta uma descamação fininha; e, nos casos duvidosos, o exame micológico, que mostra o fungo no microscópio.


Como tratar o pano branco

O tratamento é feito com antifúngicos, e a escolha depende da extensão das manchas e de quantas vezes o quadro já voltou:


  • tratamento tópico: primeira escolha na maioria dos casos, com xampus, loções ou cremes antifúngicos aplicados na pele do corpo pelo tempo orientado;

  • tratamento oral: reservado para áreas extensas, casos que não respondem ou que voltam com frequência; nem todo antifúngico oral funciona para essa micose, por isso a prescrição é médica;

  • manutenção: para quem tem recaída todo verão, pode ser indicado usar o antifúngico de forma preventiva, em intervalos, nos meses mais quentes.


Evite receitas caseiras com vinagre, limão ou bicarbonato. Além de não tratarem o fungo, limão na pele com sol pode causar queimadura e manchas escuras.


Por que a mancha continua branca depois do tratamento?

Essa é a dúvida número um. O antifúngico resolve o fungo, mas a pele precisa de tempo para voltar a produzir pigmento onde estavam as manchas. A cor costuma voltar ao longo de semanas a alguns meses. Mancha clara sem descamação depois do tratamento, em geral, não significa que o tratamento falhou.


Como evitar que o pano branco volte

As recaídas são frequentes, justamente porque a Malassezia faz parte da pele, e costumam acontecer nos meses quentes. Ajuda:


  • tomar banho e trocar de roupa depois de suar, principalmente após o treino;

  • preferir roupas leves, que deixem a pele respirar;

  • evitar óleos e cremes muito pesados no corpo no verão e preferir hidratantes leves;

  • fazer a manutenção com antifúngico, se indicada, antes e durante o verão.


Perguntas frequentes sobre pano branco

Posso tomar sol com pano branco?

Pode, com protetor solar. O sol não piora o fungo, mas o bronzeado deixa as manchas mais aparentes enquanto a cor não volta.

Pano branco tem cura?

O episódio tem tratamento e melhora. Mas, como o fungo faz parte da pele, o quadro pode voltar em outros verões. Por isso a prevenção faz parte do tratamento.

Criança pode ter pano branco?

Pode, mas é mais comum em adolescentes e adultos jovens. Em crianças, manchas claras no rosto muitas vezes são pitiríase alba. Vale avaliar antes de tratar.

Pano branco coça?

Pode coçar levemente, principalmente com calor e suor. Coceira intensa sugere outro diagnóstico.

Posso usar pomada antifúngica da farmácia por conta própria?

O ideal é confirmar o diagnóstico antes. Várias manchas claras parecem pano branco e não são, e algumas delas precisam de outro tratamento.


Avaliação em Florianópolis

Manchas que aparecem todo verão, que não melhoram ou que vêm com alteração de sensibilidade merecem avaliação. Atendo dermatologia clínica no Instituto Libertà, no Centro de Florianópolis.



Agendamentos pelo WhatsApp (48) 99677-9195.



Sobre a autora

Dra. Carla Knust Bastos - dermatologista

CRM SC 18309 - RQE 21114


Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com título de especialista em dermatologia e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD); mestre em informática em saúde pela UFSC. Atende dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiatria no Instituto Libertà, na Rua Presidente Nereu Ramos, 146, Centro, Florianópolis (SC).


Última atualização: 28 de outubro de 2026.


Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser feitos individualmente, por médico.


Referências

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