Queda de cabelo no outono — ciclo natural ou alerta?
- Carla Knust

- há 1 dia
- 3 min de leitura
Você está achando muito fio no ralo.
Não é impressão. É outono.
Mas saber distinguir "eflúvio sazonal" de "alguma coisa está errada" pode ser a diferença entre esperar tranquila e tratar a tempo.

O ciclo capilar em três fases
Cada fio do seu cabelo passa, ao longo da vida, por três fases.
Anágena é a fase de crescimento. Dura entre 2 e 7 anos. Cerca de 85% dos seus fios estão nessa fase agora.
Catágena é a fase de transição. Dura cerca de duas semanas. O folículo encolhe, o fio para de crescer. Uns 1% dos fios estão aí.
Telógena é a fase de repouso e queda. Dura cerca de 3 meses. O fio descansa preso ao folículo até cair, e dali a uns 100 dias um fio novo nasce no mesmo lugar. Em torno de 10 a 15% dos fios estão nessa fase normalmente.
Cair fio é fisiológico. A média é entre 50 e 100 fios por dia. Quando a queda passa disso, a coisa muda de nome.
Por que o outono dispara
Existe um fenômeno bem documentado na literatura chamado eflúvio telógeno sazonal.
Nos meses de verão, por motivos ainda não totalmente esclarecidos — provavelmente envolvendo exposição solar, vitamina D, e ritmos circadianos —, uma proporção maior de fios entra em fase telógena. Como a fase telógena dura cerca de três meses, esses fios começam a cair em massa entre o final do verão e o meio do outono.
Em Florianópolis, isso costuma se manifestar entre março e maio. Pico em abril.
A queda é difusa, generalizada, sem áreas específicas de afinamento, e dura entre 6 e 12 semanas.
Depois passa.
Os 5 sinais de que NÃO é apenas sazonal
A queda sazonal é, por definição, autolimitada. Quando ela não está sozinha, vale investigar.
1. Afinamento concentrado em uma região específica, especialmente no topo da cabeça (vértice ou linha frontal). Isso aponta para alopecia androgenética.
2. Queda que dura mais de 3 a 4 meses sem reduzir. Eflúvio sazonal não passa de 12 semanas.
3. Mudança na qualidade do fio — fios mais finos, mais frágeis, perdendo brilho. Sinal de que o problema é no próprio folículo, não só ciclo de queda.
4. Sintomas associados: cansaço, sonolência, intolerância ao frio, alteração no peso, alteração menstrual, queda das sobrancelhas. Pode ser tireoide, anemia ferropriva, deficiência de vitamina D, distúrbio hormonal.
5. Couro cabeludo com sintomas: coceira persistente, descamação, dor, vermelhidão. Doenças do couro cabeludo (alopecia areata, líquen plano pilar, foliculite decalvante) podem se apresentar com queda.
Se você marcou um desses, agenda avaliação.
Os exames básicos que pedimos
Quando uma paciente chega com queixa de queda, o exame começa antes do hemograma — começa na história e no exame físico do couro cabeludo (idealmente com dermatoscópio).
Os exames laboratoriais clássicos para rastrear causas sistêmicas incluem hemograma, ferritina (e não só ferro sérico), TSH e T4 livre, vitamina D, vitamina B12, zinco e, dependendo do quadro, dosagem hormonal.
Ferritina abaixo de 70 já pode interferir no ciclo capilar, mesmo sem anemia franca. Esse é um detalhe que muito laboratório dá como "normal" e que vale revisar com dermatologista.
O que NÃO comprar enquanto não tem diagnóstico
Suplemento capilar do Mercado Livre. Shampoo "anti-queda" da farmácia. Ampola milagrosa do salão. Aquele frasco que a influenciadora mostrou no Reels.
Suplemento mal indicado pode mascarar deficiência verdadeira. Shampoo "anti-queda" não trata folículo. Ampola sem ativo testado é água perfumada.
O tratamento de queda capilar é individual e depende do que está causando a queda. Não existe um "produto que serve para todo mundo".
O que fazer essa semana
Se a sua queda começou em abril e está difusa, sem afinamento concentrado, sem sintomas associados — observa. Provavelmente é sazonal.
Hidratação capilar regular, evitar tração (rabo apertado, escova exagerada), alimentação com proteína suficiente, e sono decente são medidas básicas que ajudam.
Se você marcou qualquer dos sinais da lista acima, agenda consulta. Quanto antes a investigação, melhor o resultado.
Amanhã: protetor solar no outono — o erro que envelhece silenciosamente.




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